No último post falamos sobre o grafeno e sua aposta na indústria têxtil. Mas o que é exatamente o grafeno? Onde podemos chegar com ele? O que muda no nosso mundo? Quais os benefícios do material? Quais as aplicações dele?

Descoberto em 2014, o grafeno é uma das formas mais cristalinas do carbono, assim como o diamante, o grafite, os nanotubos de carbono e fulerenos. É considerado o material mais fino do mundo, flexível, transparente, mais duro que diamante e super condutor de calor e eletricidade. Basicamente é constituído por uma camada extremamente fina de grafite, com uma estrutura hexagonal cujos átomos individuais estão distribuídos, gerando uma fina camada de carbono.

Além de todas essas características, o grafeno pode ser mergulhado em líquidos sem enferrujar ou danificar sua composição e é extremamente barato para ser produzido. Possui mais qualidades que o plástico e o silício.

Dispositivos eletrônicos e armazenamento de energia também podem ser revolucionados pelo grafeno. Ele pode criar eletrônicos mais flexíveis, duráveis e semi-transparentes. O grafeno vai impulsionar a nova era da tecnologia vestível, com roupas inteligentes e conectadas, carros e aviões elétricos mais leves entre centenas de coisas. O grafeno é a tecnologia do futuro que está se tornando realidade hoje. E o melhor fabricar grafeno com lixo.

Um novo projeto da UE chamado PlasCarb, com cientistas australianos da CSIRO, estão pesquisando uma maneira de transformar o desperdício de alimentos e óleo de cozinha em grafeno, com o potencial de revolucionar quase todas as áreas da nossa vida cotidiana.

O projeto utiliza um processo conhecido como a digestão anaeróbica (AD), onde os resíduos de alimentos são convertidos em biogás. Em conjunto com um inovador reator de plasma de baixa energia que converte o biogás de AD, principalmente metano e dióxido de carbono em carbono grafítico, do qual vem o grafeno e hidrogênio renovável.

Aproveitando as toneladas de resíduos alimentares que seriam despejados nos aterros e transformá-los em matérias-primas de forma sustentável, o grafeno é o novo material “maravilha” da indústria e o hidrogênio também tem sido identificado como um futuro combustível de transporte para uma economia de baixo carbono.

Ainda há desafios como transformar o processo para níveis comerciais, e criar processos acessíveis que permitam as empresas aproveitar a tecnologia. Produzir grafeno e hidrogênio a partir de alimentos descartados é uma excelente maneira de criar valor agregado ao que está sendo desperdiçado.

Cientistas do Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), na Austrália, criaram grafeno usando óleo de cozinha usado. A nova técnica foi chamada de GraphAir, além de ajudar a reciclar os resíduos de óleo, torna o caro nanomaterial dez vezes mais barato de se produzir. Com a redução do preço do grafeno, pode-se promover a sua aplicação em larga escala.

O método envolve o aquecimento do óleo de cozinha de soja em um forno tubular, por cerca de 30 minutos, fazendo com que se decomponha nos blocos de construção básicos de carbono. O carbono aquecido é então resfriado sobre uma folha de níquel em que se precipita na forma de um fino quadrado de grafeno com apenas um átomo de espessura. Este método é muito mais rápido do que a técnica convencional, que deve usar materiais purificados fundidos a temperaturas intensas no vácuo durante várias horas.

Atualmente os pesquisadores conseguem fazer uma folha de grafeno do tamanho de um cartão de crédito, mas esperam refinar sua técnica para poder comercializar a tecnologia. Fabricar grafeno barato utilizando resíduos de alimentos e óleo de cozinha, torna esse revolucionário material num verdadeiro “milagre da tecnologia”.

 

Fonte: Canaltech, StyloUrbano, DayliMail.

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