A fibra de bananeira tem ganhado valor comercial nos últimos anos e possui um grande potencial sustentável na indústria têxtil, como também na área de decoração e design, além de fazer papel para sacos de chá, guardanapos sanitários e notas de moeda. Antes considerado um desperdício agrícola e um incômodo para os agricultores, agora está sendo usado como matéria-prima para fios com qualidade de seda. Além de biodegradável, a fibra de bananeira é uma das fibras naturais mais fortes, oriundo Al da casca da bananeira ou do abacá.

A haste de bananeira está sendo utilizada para fazer tecidos com diferentes pesos e espessuras, dependendo da parte do caule da bananeira a qual foi tirada. As bainhas mais internas são onde as fibras mais macias são obtidas, e as fibras mais grossas e resistentes vêm das bainhas externas. Composta principalmente de celulose, hemicelulose e lignina, a fibra de bananeira possui um tecido celular de paredes grossas, semelhante à fibra de bambu natural, mas sua capacidade de finura e rotação são melhores que as fibras de bambu e ramie. Aproximadamente 37 kg do caule da bananeira produzem 1 kg de fibra de boa qualidade.

As hastes da bananeira são utilizadas como fonte de fibras desde o século 13, mas caíram em desuso devido à popularidade de fibras como o algodão e a seda. No Japão, as fibras de bananeira eram utilizadas em roupas cerimoniais, substituindo a seda. E os tecidos mais grossos eram utilizados em tapetes, esteiras e cordas. Atualmente a fibra é mais explorada na Índia, Filipinas e Japão.

Na Índia, desenvolveu-se um tecido semelhante ao denim, feito de fibra de bananeira, que ajuda a evitar o suor. Desenvolvido pelo tecelão C Sekar, o tecido com aparência do denim e feito com fibras de algodão e bananeira, é melhor para os meses de verão pois absorve mais água. Atualmente, sua tecelagem artesanal fez jeans e saias usando este material. Os botões são feitos de conchas de coco em vez de metal e o material é tingido usando cores naturais.

Ainda hoje o tecido de bananeira até hoje é produzido de forma artesanal e tem um uso intensivo de mão-de-obra. Trabalhando em colaboração com artesãos de duas aldeias de Bengala, o designer indiano Siddhant Beriwal também utiliza as fibras de bananeira como um material alternativo aos têxteis tradicionais. Ele criou camisas de fibras de bananeira, alternativas ao linho, ideal para o clima quente indiano.

As fibras de bananeira possui características notáveis, uma boa alternativa para outras fibras sintéticas e naturais, ela é ecológica, não utiliza substâncias químicas ou tóxica, confira suas características:

Respirável: o tecido com essas fibras permite que você transpire bem e que fique frio nos dias quentes.

Suave, flexível e brilhante: o tecido de bananeira é macio e flexível, embora não tão suave como o algodão ou o rayon. Quase todas as fibras de plantas são um pouco mais rígidas e grossas do que algodão ou rayon. Seu brilho natural faz com que pareça muito com seda.

Conforto: a roupa de fibra de bananeira é confortável e não é provável que desencadeie alergias.

Biodegradável.

Resistência: é à prova de gordura, à prova de água, fogo e calor.

Durabilidade: o tecido de bananeira é tão forte e durável quanto qualquer tecido como cânhamo, bambu ou outras fibras naturais.

Isolamento: não é particularmente isolante.

Habilidade de rotação e resistência à tração: é melhor do que outras fibras orgânicas em termos de capacidade de rotação e resistência à tração.

Uma startup sediada na Micronesia vem utilizando os resíduos da bananeira para criar um papel artesanal resistente e natural, o Green Banana Paper, fabricando carteiras elegantes. A startup lançou uma campanha com o objetivo de levar as carteiras eco amigáveis para o mercado global e ajudar a melhorar a vida dos agricultores locais.

Depois da colheita da banana, os agricultores locais cortam a planta a cada ano e promovem a produção de frutos. As grandes quantidades de resíduos de fibra da bananeira são deixadas no solo para biodegradar e foi aí que a Green Banana Paper viu uma oportunidade de promover benefícios ambientais e sociais. Confira no vídeo abaixo:

Atualmente outros países vem tentando explorar a fibra de bananeira. Designers franceses, da FINandCO, testaram seu uso com o objetivo de substituir o laminado tradicional de madeira. O produto foi chamado de Green Blade e é 100% natural, pensado para gerar o menor impacto possível, com laminados que não contribuem para o desmatamento, ao mesmo tempo em que mantêm excelente qualidade estética.

No Brasil, a empresa Tamoios Tecnologia, parte da mesma ideia com revestimentos sustentáveis, feitos da fibra da bananeira, no Vale do Ribeira, região da Mata Atlântica. É um produto exclusivo e totalmente biodegradável com 99% dos recursos utilizados em sua produção sendo renováveis, que podem ser utilizados em papéis de parede, revestimento de móveis, design de objetos entre outros.

 

Fonte: StyloUrbano.

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